quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Veja o vinho atrás do cacho de uvas


“Assim diz o Senhor: Como quando se acha vinho num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção nele, assim farei...” - Isaías 65:8

Há coisas nessa vida que parecem não ter valor até que alguém as olhe além da aparência e resolva investir nelas.

Não poucas vezes encontramos verdadeiras pérolas jogadas no lixo, simplesmente porque estão sujas, arranhadas ou pouco polidas.

Jóias depreciadas, riqueza descartada!

O que faz um homem abrir mão de algo de valor? Com certeza, a falta de consciência desse valor!

E porque nos falta essa consciência? Provavelmente, porque aquilo que é precioso está obscurecido, parece feio e estragado, o que não lhe tira o valor.

Seria uma loucura jogar fora uma nota de 100 reais só porque está suja, mal cheirosa ou amassada. Sim, porque apesar de feia por fora, faz o mesmo efeito na conta bancária. Mas na vida muitas vezes descartamos o que não nos impressiona pela aparência, principalmente pessoas.

Quantos casamentos têm sido jogados fora, apesar dos anos vividos juntos, de tantas conquistas, da riqueza de filhos e do amor prometido. Alianças de ouro sucumbidas diante da separação e destruídas pelo divórcio. Notas de 100 rasgadas!

Quantos pais já não desistiram dos seus filhos só porque estão amassados pelas feridas da alma, pelas más companhias ou pelos vícios; enquanto tudo que precisam é do investimento de alguém que os cure com amor, encorajamento, perdão e limites. E quantos filhos não desprezam seus pais e viram as costas para seus cuidados e conselhos, porque são “rígidos” demais ou ultrapassados.

São pérolas pisadas por corações insanos.

O quadro fica mais triste quando adentramos à igreja e presenciamos o mesmo desatino.

Fica ainda pior quando essa loucura de menosprezar o valoroso é praticado por mim e por você, pessoas que querem tanto acertar e agradar a Deus.

Mas, se queremos mesmo fazer a vontade do Pai, precisamos ter o Seu coração quando chega à igreja aquele sujeito “tranqueira”, que tem a boca suja e um olhar cheio de malícia;
precisamos agir como o Senhor, quando aqueles discípulos estão emaranhados nas dívidas e ainda escorregam nos dízimos, ou quando não correspondem de imediato e estão desmotivados e cansados.

Precisamos ter a visão do alto, enxergar além das aparências e do momento para não desistirmos de ninguém e continuarmos a investir em vidas que têm alto valor e custaram para o Pai o sangue de seu único filho.

E como é o coração de Deus? Como Ele age? Ele diz que faria com seu povo o mesmo que um viticultor faz quando vê um cacho de uvas, e apesar das estragadas e das verdes, consegue enxergar o vinho que as uvas boas e doces darão.

Então diz: não o desperdice, não o jogue fora, tenta aproveitar tudo, espera o tempo certo, passe por todas as etapas, esprema ao máximo as uvas... Porque há vinho, precioso vinho!

Parábola do filho pródigo


Texto base: Lc. 15.11-32

O texto fala sobre um jovem que queria mais do que o pai lhe havia dado.


Querer mais não é pecado, mas ele não estava disposto a esperar o tempo certo. Pediu a herança antes que o pai morresse.


1- O pecado do filho pródigo: afastar-se do pai, indo em busca dos prazeres mundanos. Tradução de pecado do grego: perder a marca.
- quebra de relacionamento
- falta de submissão
- falta de compromisso, etc...


2- A conseqüência do pecado: miséria, fracasso, solidão. O prazer deu lugar ao sofrimento. Um filho junto aos porcos. É a condição do pecador longe de Deus.


3- O arrependimento: “Caindo em si” (v. 17-19). Arrependimento significa reconhecimento do pecado, mudança de pensamento e opinião em relação ao pecado. Aquilo que parecia bom é reconhecido como maligno. Arrependimento implica em sentimento (tristeza pelo pecado) e decisão de mudar: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”.


4- A conversão: “Levantou-se, pois, e foi” (v. 20). É a ação correspondente ao arrependimento.O pai viu o vinho atrás do cacho de uvas.

Foi isso que Deus fez quando viu um povo escravo no Egito, sem liderança e sem referencial, sem riquezas e sem lei. Ele o viu, o amou e desejou beber do seu vinho, então investiu pesado e através desse povo o Seu nome foi conhecido em todas as nações da Terra e o Messias pôde vir.


Também pôde beber do vinho excelente da vida de um jovem desprezado pela sua família, que não lhe dava valor algum. Deus o viu atrás das malhadas e o separou, fez dele o maior rei de Israel e o homem segundo o seu coração.

O próprio Davi levantou o seu exército (que nunca perdeu uma só guerra), porque teve visão de vinho em cachos de uvas. E que cachos de uvas! Parecia que não se poderia aproveitar quase nada daqueles homens problemáticos, em aperto, amargurados de espírito e endividados (I Sm 22:2). Mas Davi não os desperdiçou. Com certeza lhe custou um alto investimento para transformar essas “escórias” no seu batalhão de elite. Mas, valeu a pena. Que vinho saboroso depois de anos!

Jesus, a mais preciosa uva espremida para nos dar o vinho da salvação, viu naqueles medíocres pescadores da Galiléia homens inegociáveis, colunas da sua igreja que levariam o evangelho a todo o mundo e morreriam por ele. Isso é demais! É investir hoje para colher amanhã ou daqui a 2000 anos. É não desperdiçar ninguém ainda que pareça irrecuperável. E hoje Ele vê o fruto, o vinho do seu penoso trabalho e fica satisfeito (Is 53: 11).

Essa visão profética de fé que nos permite enxergar as pessoas e circunstâncias amanhã, muito melhores do que são hoje, é a mola propulsora que nos leva a investir tudo que temos para não abandonar no meio do caminho nada que Deus nos deu. O investimento que precisa ser feito para que esse cacho de uva que está em nossas mãos hoje se transforme num delicioso vinho amanhã, alegrando a nossa alma, não pode ter preço. Precisamos aprender a dar a vida pelo vinho que queremos beber. Dedicar tempo, fé, oração, ensinamentos, dinheiro, paciência, perdão e tudo mais que for preciso.

É óbvio que nem todo mundo quer receber esse investimento. Foi assim com o povo de Israel, e também com os discípulos. Judas por exemplo, foi a uva que se perdeu. Não por falta de amor e doação do Mestre, mas pela dureza do seu próprio coração. Porém, no que depender de nós, não podemos jamais jogar nossas jóias ralo abaixo.

Deus tem muito vinho para nós e uma terra que mana leite e mel, ainda que à frente do leite e do mel, tenham gigantes, cidades fortificadas, e muitos inimigos. Você não pode desprezar a terra por causa dos desafios como muitos fizeram -“Também desprezaram a terra aprazível, e não deram crédito à sua palavra” (Sl 106:24).


Para os “Josués” e “Calebes” que crêem nas promessas, todos eles não passam de pão para devorar. Não despreze a terra da sua herança hoje, ela ainda lhe dará muito vinho!

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